PORTAL364, 18/10/2026 11h27
O contraste entre o privilégio de quem governa e a miséria vivida por quem necessita do atendimento público atingiu o seu ponto mais crítico em Rondônia. Enquanto a população enfrenta corredores lotados, escassez de remédios e a falta crônica de leitos de UTI, o governador Marcos Rocha acumula mais de 227 dias fora do país, em dezenas de viagens ao exterior que já custaram mais de um bilhão de reais aos cofres públicos.
Porém, o que causa ainda mais indignação na sociedade rondoniense não é apenas o valor astronômico das despesas, mas a opacidade absoluta do Executivo. O Governo do Estado decretou sigilo de até 5 anos sobre os detalhes dessas viagens, escondendo da sociedade civil, da imprensa e dos órgãos de fiscalização a identidade dos integrantes das comitivas, a justificativa real dos deslocamentos e os valores discriminados das despesas.
Mão Dupla: Gastos Secretos e Contas do Detran sob Comando Familiar
A prática do sigilo e da farra de diárias virou alvo de contestação na Justiça e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO), que determinou que o governo abra a "caixa-preta" e dê transparência às viagens e despesas do Executivo.
A falta de transparência e o uso desenfreado do dinheiro público estendem-se por outros setores da administração estadual:
Milhões em viagens internacionais: Marcos Rocha já viajou por mais de 18 países em três continentes, gerando despesas milionárias pagas pelo contribuinte rondoniense sob justificativas institucionais genéricas.
Farra das diárias no Detran-RO: O órgão — comandado por Sandro Rocha, irmão do governador — registrou o gasto de quase R$ 10 milhões em diárias em apenas dez meses.
O próprio irmão do chefe do Executivo liderou a lista de beneficiários de diárias do órgão, incluindo viagens de alto custo à Europa.
A Caixinha Secreta: Ao impor sigilo sobre as comitivas, o governo impede que o cidadão saiba quem está viajando com dinheiro público, se há parentes, assessores desnecessários ou aliados acompanhando os voos internacionais.
O Custo do Sigilo vs. A Realidade da Saúde
A soma total dos recursos dilapidados em diárias, passagens aéreas e comitivas no exterior ao longo da gestão é tão assombrosa que seria suficiente para financiar investimentos decisivos na infraestrutura do Estado — como o término da novela do Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia (HEURO) e o fechamento do precário Hospital João Paulo II.
O Palácio x A Realidade do Povo
No topo do governo: Viagens secretas de alto luxo, diárias internacionais que ultrapassam R$ 2,6 mil, e recusa sistemática em prestar contas.
Nas ruas de Porto Velho: Pacientes amontoados em macas nos corredores, parentes desesperados por cirurgias e um hospital de urgência prometido há anos que nunca sai do papel.
"Trata-se de uma verdadeira afronta ao princípio republicano da transparência. O cidadão paga imposto para ver o governador viajar pelo mundo sem saber quem vai junto nem o que o Estado ganha com isso", cobram representantes de entidades de controle social e da imprensa.
Sociedade Cobra Respostas e Transparência Já
Pressionado por órgãos de fiscalização e por notas públicas de entidades como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o governo Marcos Rocha segue debaixo de forte cobrança para derrubar os decretos de sigilo. A população exige saber:
Quem viajou com o governador nas missões internacionais sob sigilo?
Quais foram os contratos e investimentos concretos que essas viagens trouxeram de volta para Rondônia?
Por que o dinheiro público jorra com facilidade para passagens no exterior enquanto a saúde pública vive em estado de calamidade?