MACHADINHONEWS, 10/11/2025 17h47
O Ministério Público Federal realizou, no dia 19 de outubro, uma escuta pública para ouvir professoras, professores, familiares, profissionais da Educação e representantes da gestão municipal sobre a situação do ensino fundamental no município.
Agora, após a consolidação dos dados e inspeções em sete escolas, o MPF divulgou apontamentos que reforçam problemas já conhecidos há anos: transporte escolar precário, falta de estrutura física adequada e ausência de atendimento especializado para estudantes atípicos.
As falas durante a escuta foram firmes e diretas. Pais relataram que ônibus quebram constantemente, atrasando a chegada das crianças e causando perda de conteúdo escolar. Professores destacaram a falta de suporte pedagógico e técnico. E trabalhadores da Educação pontuaram que o município ainda não oferece acompanhamento especializado contínuo para alunos que necessitam de atendimento diferenciado.
RELATO
“Todo dia a gente chega atrasada. Perde prova e a matéria. Às vezes, os pais têm que buscar a gente na linha porque os ônibus quebram.”
Além das falas, o MPF inspecionou sete escolas municipais. Nas visitas, foram encontrados problemas estruturais como falta de climatização, instalações elétricas inadequadas, salas improvisadas e conectividade insuficiente, dificultando atividades pedagógicas que dependem de tecnologia.
APONTAMENTO DO MPF
O relatório consolidado destaca:
• Transporte escolar inadequado, com veículos sem manutenção efetiva.
• Ausência de atendimento especializado para crianças atípicas.
• Falta de infraestrutura básica em diversas unidades.
• Deficiência em conectividade e recursos pedagógicos.
• Necessidade de valorização e suporte permanente aos profissionais da Educação.
• Ampliação do ensino em tempo integral como política de qualidade e permanência escolar.
RESPONSABILIDADE
Os problemas identificados não são novos. A Secretaria Municipal de Educação, comandada por Iaane, já havia sido alertada anteriormente por professores, famílias e até por relatórios internos. No entanto, as soluções não avançaram com a urgência necessária.
A chegada do MPF, portanto, não é um ato isolado, mas consequência de uma gestão que não tem conseguido garantir condições mínimas de funcionamento escolar.
A comunidade educacional demonstrou cansaço diante de respostas que ficam no discurso. O consenso entre quem vive o dia a dia das escolas é claro: o que está faltando não é diagnóstico, é ação.
COMO FICA
O MPF deixou orientações formais ao município e seguirá acompanhando o cumprimento.
Também ficou claro que a população quer resultados concretos, especialmente porque os índices educacionais de Machadinho do Oeste estão entre os piores do estado.
O futuro das crianças não pode continuar dependendo de a sorte de um ônibus não quebrar.