SERGIO PIRES, 05/03/2018 07h34
Em apenas uma semana, todo o jogo da sucessão estadual, que estava se desenhando, pode ter ido por água abaixo. Depois da condenação de Acir Gurgacz que o tira, ao menos por enquanto, da disputa pelo Governo, em outubro, na sexta explodiu outra bomba: Confúcio Moura pode desistir de sua candidatura ao Senado e ficar onde está até 1º de janeiro de 2019. Com isso, seu vice, Daniel Pereira, não assumiria o comando do Estado em 5 de abril, como estava acertado entre ambos e, se decidisse ser candidato à sucessão de Confúcio, o faria sem o apoio do seu parceiro atual de governo. Pior: fora do poder. O motivo foi uma discussão que o Governador e seu vice tiveram essa semana, Não foi daquelas em que pode haver rompimentos e ressentimentos, mas também não foi tão passageira que caísse no esquecimento no dia seguinte. Confúcio, extremamente pressionado por seu partido, o MDB, já que seus companheiros andam reclamando muito da movimentação de Daniel Pereira, que estaria, segundo eles, exagerando em sua caminhada em direção ao poder e agindo como se já fosse o Governador (isso foi dito por um membro importante do comando emedebista), não teria topado uma exigência de Daniel. O novo pedido estaria fora do acordo inicial entre ambos, para que o atual Governador deixasse o cargo, para que o vice assumisse durante nove meses. A ríspida conversa entre ambos foi assistida por pessoas muito próximas ao centro do poder e, na hora, pareceu que a decisão anunciada por Confúcio seria definitiva. Não é. Ainda. Mas pode ser sim, caso não haja um acordo nesta próxima semana e vençam os que colocam gasolina na fogueira e não os que nela estão jogando água.
Um importante aliado de Confúcio Moura disse que se a decisão final sobre se ele vai disputar o Senado ou ficar onde está, fosse neste final de semana, o Governador estaria fora da disputa e continuaria no cargo. Mas, é claro, não se fecha porta na política, mesmo que surjam eventuais desentendimentos. O que se pode dizer, com clareza, é que o que deixou a turma de Confúcio com o cabelo em pé, principalmente a nata do MDB, foi o que eles consideram como uma exagerada mobilização de Daniel Pereira, que, segundo se ouviu, deveria recolher os flaps e não interferir no poder ou fazer mais exigências, como estaria fazendo. A coisa se complica em termos de muita pressão sobre o Governador, porque seu partido tem um candidato, o presidente da Assembleia, Maurão de Carvalho e perderá espaço para o PSB e a turma de Daniel. Com todo esse quadro, segundo pessoas próximas a Confúcio, Daniel Pereira cometeu erros primários. O caso em que saiu da Vice Governadoria um documento exonerando o comandante da PM, teria sido o estopim para a crise. E agora? Confúcio fica ou vai ao Senado? E Daniel Pereira, como enfrentará a situação? Essa sucessão está virando um filme daqueles de Hitchcock. A cada dia, aparece uma novidade de arrepiar todos os cabelos. Suspense total!