Rondônia - 06 de Dezembro de 2021

CACOAL: 33 PACIENTES MORREM EM 07 MESES FAZENDO HEMODIÁLISE, PRESIDENTE DA CÂMARA NÃO QUER CRIAR CPI

REDAÇÃO, 12/11/2021 08h44

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“Nunca aconteceu tantas mortes em volume tão grande”, garante médico que denunciou 33 óbitos em 7 meses no Centro de Hemodiálise de Cacoal.
“Contaminação nas máquinas de Tratamento é uma realidade, e a situação é gravíssima”, afirmou o urologista Luis Parada em sabatina na Câmara.
Ao responder questionamentos dos vereadores no Plenarinho da Câmara Municipal de Cacoal em sabatina que aconteceu nessa última quarta-feira (10), o médico urologista Luis Parada, proprietário da Empresa TRS, foi categórico ao afirmar que, “em 11 anos que administrou o Centro de Hemodiálise de Cacoal, nunca houve um volume tão grande de mortes em um curto período de tempo, como ocorreu este ano entre os meses de fevereiro e setembro”.
Na reunião, que durou mais de 2 horas, o especialista também voltou a alertar que a contaminação nos bicos das máquinas que causam um quadro clínico de infecção nos pacientes que precisam fazer diálise no Centro de Hemodiálise do município é uma realidade, “e a situação é gravíssima. Isso ficou comprovado no resultado do laudo de análise de água”, assegurou.

FECHAMENTO

Questionado sobre o Comunicado de fechamento da Unidade feito no início do ano ao município, Parada esclareceu que, a medida foi tomada pela questão financeira, que refletiu na qualidade do serviço que vinha caindo drasticamente.
“Estávamos prestes a ficar sem nenhum insumo, ou seja, sem condições nenhuma mais de atender um paciente sequer. E mesmo levando toda a situação ao conhecimento do prefeito, inclusive ainda dezembro antes dele assumir, nada foi feito”, afirmou.
De acordo com Parada, a empresa tinha um recurso na ordem de R$ 138 mil que na ocasião, estava liberado há 30 dias na conta da Prefeitura, porém, nada foi repassado para a empresa, o que a deixou sem as condições financeiras de repor o estoque.
Conforme ressaltado por ele, no total, o município deixou de repassar a empresa em 2020, cerca de 1 milhão de reais, parte em glosas (serviços prestados que a Prefeitura se recusou a pagar) e ainda se apropriou dos R$ 138 mil que o Ministério da Saúde repassou para compensação de perdas da TRS.
“Então não tínhamos como trabalhar desta forma e fui obrigado a fazer o Comunicado como uma tentativa de ‘última medida’ para ver se as coisas aconteciam”, lamentou, acrescentando: “mas jamais a ideia foi abrir mão da Hemodiálise”.

MÁ GESTÃO

Na reunião, o especialista disse que há outros fatores que se somam aos problemas no Centro de Hemodiálise, como a falta de técnicos capacitados para gestão de um empreendimento de média ou alta complexidade.
“Até por esta razão, a Prefeitura precisou requisitar todos os funcionários da empresa, gerando um passivo trabalhista que certamente ficará na conta do município, já que a intervenção na atividade quebrou completamente a Empresa, cujo CNPJ hoje só pode ser usado pela Prefeitura para legalizar as compras de insumos”, explanou.
De acordo com o proprietário legal da TRS, as médicas nefrologistas, responsáveis técnicas pela Hemodiálise, já denunciaram ao Ministério Público (MP) que a pessoa nomeada como interventora não tem condições de dirigir a operação de hemodiálise, e no documento, alertaram inclusive o MP sobre o fato de a Clínica estar em vias de sofrer uma contaminação na fonte de água que poderia comprometer a segurança dos pacientes.


Na Reunião, o médico lembrou também que a má gestão da atual administração no Centro de Hemodiálise de Cacoal é tanta que, na primeira quinzena de outubro passado, a Prefeitura foi condenada subsidiariamente pela Justiça do Trabalho, a pagar mais de 150 mil reais a cinco funcionários da Empresa, e até o plano de saúde dos empregados foi cancelado por falta de pagamento.

INTERVENÇÃO PARA QUE?

Em relação à intervenção feita pela atual gestão, que a partir de fevereiro deste ano, passou a ser a responsável pela administração do Centro de Diálise, Parada respondeu aos vereadores que o Decreto foi à coisa mais errada que foi feita de toda a história.
“Não havia necessidade disso. Se o prefeito tivesse repassado o recurso que estava na conta da Prefeitura e que era da empresa, nada disso teria acontecido. Além do mais, no mesmo dia da intervenção, o Estado entrou com repasse de R$ 60 mil a mais por mês em favor do Centro de Hemodiálise de Cacoal. Mas ao invés de quitar os custos com a empresa, ele preferiu tomar conta da Unidade, inclusive utilizando o nome da minha empresa até hoje. Isso nunca havia acontecido nestes 11 anos de existência da TRS. Intervenção pra quê? Para fazer o quê? Não tem sentido!”, complementou.
A presença do médico para esclarecimentos na Câmara em relação asa denúncias foi solicitada pelos vereadores Valdomiro Corá (Corazinho MDB) e Paulo Henrique Silva (dr Paulo Henrique PTB), e foi acatada pelo presidente do Legislativo, João Paulo Pichek (Republicanos).
Após responder todos os questionamentos feitos pelos vereadores e pela secretária de saúde do município Janayna Calumby, o médico entregou ao presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Cacoal, vereador Luiz Fritz (PSD) toda documentação que conforme ressaltou, comprovam as irregularidades no Centro de Hemodiálise de Cacoal. O processo será analisado juntamente com os demais membros da comissão, e posteriormente, será encaminhado ao presidente da Casa de Leis para as devidas providências.
As denúncias relacionadas à Unidade de Tratamento para pacientes que necessitam de Diálise no município foi levada à Tribuna da Câmara municipal de Cacoal pelo vereador dr Paulo Henrique na Sessão do último dia 18 de outubro, após o Laudo que confirma irregularidades nas máquinas de diálise, áudios, e lives com o médico irem à tona em sites e pela rede social local.
Na ocasião, o vereador Corá pediu ao presidente da Casa de Leis que instaurasse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso, porém, ao fazer uso da Tribuna, Pichek disse que não considera necessária a instalação de uma CPI para investigar o caso, e apenas solicitou a Comissão de Saúde do Legislativo averiguasse a veracidade das informações. A reunião dessa quarta-feira inclusive não teve gravação em vídeo requisitada pelo presidente.
Esta semana, os vereadores: Valdomiro Corá (Corazinho MDB), Paulo Henrique Santos Silva (dr Paulo Henrique PTB), Paulinho do Cinema (PSB), Romeu Moreira (DEM), Lauro Kloch (PSD), e Zivan Almeida (PSC) assinaram ofício pedindo que o MP fiscalize a Clínica. Os demais não justificaram o porquê não assinaram o documento.

 

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